sábado, 22 de dezembro de 2007

A incompreensão de ser um mix

Muita gente não me conhece por inteiro, para alguns sou só alegria, festas, diversão. Para outros sou amizade, lealdade, confiança. Tenho significado oculto, para muitos não sou nada, para alguém sou tudo.

Sou a mistura da totalidade e da ausência. Tenho momentos de alegria e de dor. Consigo ser caseira e festeira. Tenho bom humor, mas as vezes sofro de tpm. Sou corajosa, mas tenho meus medos incompreensíveis. Me apaixono, mas não me entrego com facilidade. Sou simples, mas não saio sem batom. Desligada, mas noto coisas que ninguém percebe. Perdida, não sei chegar em lugares onde muito já frequentei. Sonho com locais nunca visitados, com pessoas nunca vistas. Viajo para longe em pensamentos, num segundo.

Entendo as pessoas, sabendo que somos diferentes. Sou exigente com o caráter de quem escolho para conviver comigo, mas já dei papo para gente superficial. Não tenho paciência para futilidades, mas percebo que precisamos delas em algum momento. Não suporto quem se acha, mas reprovo aqueles sem o minímo de auto-estima. Me irrito com quem quebra a cara e não aprende, mas tenho fé que um dia caiam suas fichas.

Consigo ser louca, mesmo sendo certinha. Não sigo padrões, nem a multidão, não gosto de estereótipos, mas observo a moda. Sou 8, 80, o que não quer dizer que eu seja uma pessoa de lua. Tenho minha personalidade, mas mudo de opinião sempre que vejo necessidade. Mudo minhas crenças, quando ultrapassadas, mas tenho algumas idéias que não se modificam apesar do passar dos dias.

Sou um mix, do meu tempo, das minhas experiências. Talvez só eu me conheça por inteiro; mas não me preocupo com este dilema. Afinal, será que conheço alguém integralmente?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Gosto

Não sei o que me faz gostar
Simplesmente gosto
Sem ordenar esforços
Se revela uma mescla de sentimentos
Timidez, medo, loucura, atração, paz
Que me perturba e me acalma
Sem mencionar palavras
Ou frases precipitadas
Surge uma afeição
Deixando todas as explicações pra lá
Pois num só olhar, fica fácil compreender
Que gosto sem precisar revelar.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Ponto de Vista

O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. É uma idéia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista.

Lya Luft

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Vivo Mais

Com o sol meu cabelo fica mais claro, meus olhos tornam-se verdes, meu corpo dourado. Junto com o astro, chega a estação que coloca sorrisos nos lábios dos descompromissados, dos de alma livre, dos loucos, insanos, festeiros, rebeldes, dos felizes; e desespero a alguns apaixonados soltos e perdidos, que sonham com um romance desde a estação passada.

É nessa época que arrumo tempo para deitar numa tranqüila rede, para escolher demoradamente um sorvete do picolezeiro, para aprender receitas de doces com minha mãe e para fazer caminhada. É quando leio um livro sem obrigação, nem data marcada para o desfecho.

Quando mais sonho, dormindo e acordada. Quando mais percebo a beleza da vida e da natureza. É o momento que me deixo encantar, a cada amanhecer, com as dádivas de Deus. Com o verão me sinto mais leve, mais alegre e vivo mais. Desconecto-me de minha rotina, permito deixar o celular em casa, manter a televisão desligada e fazer menos acessos à internet.

Desligada do mundo habitual saio à rua para ver pessoas, para me divertir, para vagar pelos caminhos à procura de algo que me surpreenda, algo que me traga emoção, tudo que me faça sentir mais viva, mais eu.




Que imagem perfeita, né?! Foto tirada pelo meu amigo Gustavo, em Ferrugem-SC

Sobre a paixão

O apaixonado não consegue pensar sobre a sua paixão. Porque o pensamento exige que se tome distância da coisa pensada, que aquele que pensa esteja na posição de um observador que olha de fora. Mas o apaixonado está inundado pelo sentimento. Tudo o que pensa são pensamentos apaixonados e não pensamentos sobre a sua paixão.

Rubem Alves

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Talvez ela tivesse esquecido

Semana passada, não recordo o dia, normal, aliás não lembro nem a roupa que vestia anteontem, eu falei com a Suélen no MSN. Isso não seria motivo de comentário, mas o fato é que não falava com ela há mais de um ano. Não nos encontrávamos mais pelas ruas, pelo shopping, pelos pagodes, não nos comunicávamos pelo msn, e-mail, via carta, nem pelo telefone.
Eu li um e-mail na tarde daquele dia, que recebi da Tia da Carona, a Evany, que é mãe de uns amigos que estudavam no mesmo colégio que eu. A tia levava eu e minha irmã até nossa casa, e ainda comprava quindins pra gente, para tornar o trajeto mais agradável. Hoje ela me manda e-mails quase que diariamente. Neste dia recebi um texto sobre amizade, de Vinícius de Moraes.
Texto lindo, que me fez lembrar a minha amiga ausente, mas jamais esquecida: “A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.”
A Suélen, vulgo Shúshú, era uma amiga do colégio, parceira para realizar aqueles chatíssimos trabalhos de física e química, para trocar colas nas provas de matemática e para paquerar no recreio do colégio. Mas nossa amizade não era restrita aos muros do Champagnat. Saíamos juntas do colégio, com nossas outras amigas, almoçávamos, passávamos a tarde juntas.
Isso durou três anos. Com direito a muitas festas, confissões, um vocabulário singular, viagens loucas para a praia, para o sítio, cartas trocadas com promessas de uma amizade para sempre, férias juntas, tardes comendo traquinas de chocolate e bebendo coca-cola.
Ela sabia meus segredos e eu os dela. Tínhamos nosso próprio alfabeto, que era pra ninguém, salvo a Isadora (grande amiga), entender nossos bilhetes.
Mas no último ano de colégio, a Shú começou a namorar, e quando o ano acabou começamos a nos distanciar. Ela trocou os programas com as amigas, para passar o tempo com o namorado. A gente entendeu, mas nunca pensou que poderíamos ficar tão afastadas.
Resolvi encaminhar o e-mail a ela, mas nem sabia se ainda seria o mesmo. Para minha surpresa, naquela mesma noite ela veio falar comigo no MSN.
Depois de tanto tempo sem trocar palavras, até que conversamos bastante. Surgiram muitas perguntas, as duas estavam curiosas para saber como tudo se passara durante a distância. Falamos sobre nossas famílias, o que estávamos fazendo e contamos as novas.
Ela revelou que chegou a se emocionar quando leu o e-mail e contou que tinha se arrependido do afastamento, disse também que lembrava sempre da gente.
Eu já sabia daquilo, mesmo sendo novidade, e tinha a certeza de que ela também tinha noção do quanto eu lamentava a situação.
A Suélen talvez tivesse esquecido o quanto eu gosto dela. Ou talvez duvidasse. Mas no fundo sei que ela tinha convicção disso. Ela é uma amiga presente, mesmo que de corpo ausente. As lembranças estão no ar, ficaram por toda a parte, mesmo com as circunstâncias da vida, o carinho que era grande, não conseguiu se esgotar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

=)

"Te espero com hora marcada

Te aguardo a qualquer momento

Me surpeendo com tua presença

Tão marcante e tão discreta

Revela uma mescla de sentimentos

Timidez, medo, loucura, atração"

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Dois Mundos

'Você vive num mundo exterior e num interior; no entanto, os dois fazem um só. Um é visível e o outro invisível (objetivo e subjetivo). O mundo exterior penetra em você através dos cinco sentidos e é compartilhado por todos. O mundo interior de seus pensamentos, sentimentos, imaginações, sensações, crenças e reações é invisível e só pertence a você.
É no mundo interior que você vive o tempo todo. é aí que você sente.' (Joseph Murphy)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tudo o que me vier à mente

“Agora te escreverei tudo o que me vier à mente com o menor policiamento possível. É que me sinto atraída pelo desconhecido. Mas enquanto eu tiver a mim não estarei só. Vai começar: vou pegar o presente em cada frase que morre.“ Clarice Lispector.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sintonia

Tiro algumas conclusões
Ao observar meus sentimentos
Como se estivesse resgatando minhas vivências
Relembrando acontecimentos
Associando aos das pessoas a minha volta
Unificando anseios
Agregando experiências
Percebendo como somos todos tão parecidos
Por trás de todas as diferenças
Notando isso através das nossas emoções
Semelhantes mas desiguais
Dependendo da intensidade
Segundo o momento
Uns viciam em certas emoções
Aprendem a sofrer
Não desaprendem
Acostumam com a dor
Outros experimentam a prosperidade
O amor ou a felicidade
Ficando imune de todo desgosto
Perambulando pelo caminho
Observando o que se passa
Vejo nas pessoas
Em seus rostos expressivos
Ora a alegria
Estampada num rosto qualquer
Ora a angústia imprimida numa face
Cada qual acostumado ou contaminado por suas emoções

Cada um cria sua realidade
Conforme acredita que ela é
Vibrando naquela mesma sintonia

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sinais

Somos tão parecidos
Quando não conseguimos
Disfarçar algo que está nos incomodando

São sinais singelos
Como os sorrisos que não saem fáceis
Ou quando as gargalhadas se fecham

Não temos o dom de simular humores
Nem o anseio de mentir para nós mesmos
Até porque nosso rosto nos entrega

Através dos teus olhos
No teu sorriso sem jeito
Na maneira como tu caminhas
Percebo que existe algum incômodo

Mas é só isso que sei
Tudo que deixou escapar
Foi essa maneira de agir como eu
Ficou a vontade de saber mais
De descobrir além disso
O que temos em comum

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Deixado para trás

O que era sólido se desfez
O eterno se corrompeu
O certo abriu espaço para incertezas
As palavras tornaram-se efêmeras
As conversas foram esquecidas
Promessas não tiveram valor
O que era verdadeiro foi deixado para trás
A saudade foi sufocada
O sentimento enterrado
Não restaram nem as lágrimas

sábado, 3 de novembro de 2007

. . .

Li em livros
Já me disseram
'Nós somos o que pensamos'

Se vou me tornar o que quer que eu pense
Penso no que há de melhor


"Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos" - Shakespeare

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tudo diferente

Diante de um longo período de inquietações, deparei de repente com a tão desejava paz. Uma tranqüilidade buscada nas últimas semanas, procurada em apuros, sem quaisquer vestígios de sucesso.
Sem espera, ela reapareceu, numa noite de clima agradável, depois de um belo dia. Chegou descortinando, limpando nuvens escuras do meu céu, clareando pensamentos e idéias obscuras.
Lá fora tudo parecia estar igual. A noite seguia no mesmo ritmo de sempre, rumo à madrugada. Mas aqui dentro havia a sensação de que tudo estava absolutamente diferente.




nuvem passageira

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Aparências

"A idéia de felicidade não é mais interna, como a dos monges, ou a calma vivência do instante, ou a visão da beleza. Felicidade é entrar num circuito comercial de sorrisos e festas e virar alguém a ser consumido.
... Somos "felizes" dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, bagatelas, micharias. Uma alegria para nada, para rebolar o rabo nas revistas, substituindo o mérito pela fama. Essa infantilização da felicidade pela mídia se dá num mundo em parafuso de tragédias sem solução, como uma disneylândia cercada de homensbomba. Não precisamos fazer ou saber nada; o sujeito só existe se aparecer. "

Parte do texto de Arnaldo Jabor, A felicidade hoje é fechar os olhos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A dor que dói mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Velha Massa

Eu não tinha dormido quase nada naquela noite e tinha acordado cedo. Eram sete horas da noite e tentava dormir. Mas não tinha jeito. Vinham até meus ouvidos três tipos de sons diferentes. Da parte da frente da casa vinha um tipo de música eletrônica, dos fundos (bem atrás do quarto onde eu me encontrava) vinham gritos de um grupo de jovens, que tocavam Bob Marley no violão, com uma galera que cantava na mesma sintonia. De uma casa ao lado, nos intervalos de uma eletrônica ou de um Bob, vinha em alto som MPB.
Por um segundo me irritei. Odiava quando interrompiam meu sono, aquele momento tão precioso. Mas relevei porque entendia a alegria daqueles jovens, que assim com eu se reuniam com uma galera na praia, no meio praticamente do nada, numa sexta-feira, feriado.
Eles não precisavam de mais nada para justificar suas alegrias exacerbadas e notadas pela vizinhança. Estavam reunidos, celebrando a vida. Tinham seus amigos, um violão, a música que curtiam, bebidas e a festa estava armada.
Eu que por aquele um segundo havia me irritado, mas no instante seguido entendido aquele pessoal, agora pensava nos mais velhos.
Pensava que eles deviam estar indignados, pois provavelmente tinham fugido da cidade e do stress que ela proporcionava, em busca da tão desejada tranqüilidade, que não conseguiriam encontrar em meio a berros e músicas que vinham de todos os lados.
Eu conseguia entender eles, mas por outro lado eu refletia no que tinha levado aquelas pessoas tão festeiras (espero que assim tenham sido em suas juventudes), a se recolherem em seus habitates em busca de uma paz que “encontravam” depois da janta, sentados no confortável sofá assistindo a novela que passava pontualmente às nove horas da noite, na rede globo.
Eu me perguntava em que momento de suas vidas, no vai e vem do dia-a-dia, tinham perdido essa alegria tão própria dos jovens, ou das crianças, que também sabem se divertir tão bem.
Tinham cansado daquela animação? Ou estavam sendo arrastados por uma sociedade que diz que passado tal idade, chega o momento de se recolher, pois se tornaram ultrapassados e caretas?
Achava tudo aquilo um absurdo, cheguei a conclusão que eles se recolhiam porque não viam mais graça naquela folia toda. Preferia pensar que agora eles tinham afazeres mais elevados para realizar e que não podiam perder tempo organizando um reencontro com os amigos do passado ou com seus familiares.
Era mais aceitável do que crer que eles tinham se rendido ao tédio. E assim perdido uma coisa tão importante em suas vidas: a alegria.
Desisti de dormir, fui tomar um banho para me preparar para aquela noite, que prometia. Eu estava com grandes amigos e tinha motivos de sobra pra comemorar. Caso não tivesse, rapidinho inventaria mil motivos para um brinde.
Ia curtir aquela noite, cantar e dançar durante toda a madrugada, tenho essa alegria que compete a idade. Mas eu tinha um desejo, o de não perde-la com o passar dos anos. O de me tornar uma “velha massa”, daquelas que divertem netos e netas com histórias e brincadeiras. Eu não queria perder o brilho pela vida, ia tentar conservar não só meu rosto com dezenas de cremes anti-rugas, mas minha alegria, apesar do passar dos anos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Você

Eu não queria escrever sobre você, nem lembrar da sua existência. Adoraria esquecer todas suas lindas frases, ditas em momentos perfeitos. Talvez tivesse sido melhor não ter aberto espaço para conversas e risos. Não devia ter escutado suas aventuras, foi ali que percebi a existência de um moleque com um coração incrível, por trás daquele homem decidido. Quem sabe se você não insistisse, em me olhar tão profundo. Se não tivesse me dito tudo aquilo que eu sempre quis ouvir, tentando me conquistar. Talvez hoje eu não estaria escrevendo sobre você.


Mas escrevo pra tentar te entender. Me pergunto sobre o sentimento que dizia ser único na sua vida. Porque ligo o rádio, ouço uma música que me faz lembrar você. Enquanto caminho pelas ruas te vejo em cada detalhe da cidade. Quando penso na próxima estação, é você que chega, dominando todos os outros pensamentos. Escrevo para encontrar explicações sobre todas suas atitudes irrefletidas.


Mesmo sem compreender, escrevo pois você faz parte permanente dos meus pensamentos, e não consigo fingir para mim mesma, que nada aconteceu.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Diversidades

“Só podemos crescer, quando entendermos as diversidades.” Foi mais ou menos essa frase que Itamar Aguiar, um dos fotógrafos com que trabalho, me disse hoje, logo que cheguei. Ele é formado em Jornalismo, com pós em Artes, costuma realizar algumas palestras e durante elas, tem o hábito de citar frases do tipo. De acordo com o dicionário Aurélio, diversidade é: 1. Diferença, dessemelhança, dissimilitude. 2. Divergência, contradição; oposição. 3. Caráter do que, por determinado aspecto, não se identifica com algum outro. 4. Multiplicidade de coisas diversas.
Pensei um pouco a respeito, as pessoas são diferentes, mas é nessa diversidade de caracteres, de feitios, de humanidades que todos podemos crescer. Da última vez que escrevi, chutei o balde com “os conselhos”; sem querer me contradizer: quando se está confusa os conselhos não ajudam, em meio a tantas opiniões que não se coincidem. Porém é bom estar aberta às idéias das pessoas, ouvir muito, ler muito. Nem tudo se tira proveito, mas pode-se aprender muitas coisas com as diversidades, que acabam acrescentando pontos positivos em nossas vidas.
Por isso adoro ler, livros de gêneros variados, jornais, revistas, blogs. Ouvir as histórias das pessoas, escutar todo tipo de música, conhecer filosofias de vida, descobrir novas ruas, novos bares, ter amigos de vários estilos, conhecer muitas tribos, múltiplos jeitos de ser e de pensar.
A diversidade é uma forma de enxergar a vida de uma maneira ampla. Temos o poder de peneirar só as informações que valem a pena e assim somá-las com nossas experiências, para se tornar cada vez melhor. Que é o que no fundo todos desejam, se aperfeiçoar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Conselhos

Ultimamente ando confusa, já faz algum tempo que estou assim, é uma fase. Sei que ela vai passar, as coisas vão se esclarecer, vou enxergar tudo nítido. Mas agora é como se tivesse uma nuvem, por trás do céu lindo que adoro contemplar. Como é chato estar confusa. São coisas do coração, são esses episódios que mais nos deixam sem saber como agir. Você não sabe o que pensar. Acorda com uma idéia, que poderia resolver o obscuro, mas à noite quando vai dormir, aquela opinião já sumiu, já se passaram mil pensamentos diferentes na sua cabeça. Você não consegue aproveitar o que de útil se passou. São tantas idéias, tantas coisas que se você fizesse dariam certo, que no fim do dia o que te sobra é um bocado ainda maior de confusão.
Daí que entram os conselhos, que serviriam como maneira de ajuda, de mostrar qual caminho seguir. E é aí que me engano, pois os conselhos me deixam mais perplexa.
Só quando estou nessa fase que eles surgem, e como. Todos que me conhecem, querem dar palpites. Se você fizer tal coisa, será melhor. Outro chega e diz o contrário do que acabo de ouvir. Então, eu que já estava confusa, me vejo num buraco sem saída, num labirinto de pensamentos. Exagerada? Sim, fazer o quê. Tudo que acontece comigo, é ampliado na minha ótica.
Outros podem observar a situação de outro ângulo e ter uma simples resolução para a questão. Mas não tenho mais interesse, nem mesmo em descobrir qual a resolução no ângulo desta pessoa. Chega de conselhos! Eles não me fazem bem, até que o ditado tinha razão: “Se conselhos fossem bons, seriam vendidos”. Só agora entendo seu significado.
A verdade é que só eu sei como resolver, só eu sei onde está a saída desse labirinto. Só eu sei o que se passa aqui dentro, só eu sei de tudo que estou sentindo.
Ontem saí com alguns amigos, e alguns amigos de meus amigos. Para minha surpresa, ao comentar sobre minha confusão com minha amiga, um desses desconhecidos resolve me dar um conselho.
Eis que me dei conta em como as pessoas querem opinar sobre as vidas alheias. Tive que rir quando o desconhecido pediu, com cautela: -Posso te dar um conselho?
Eu e minha amiga caímos na gargalhada.
Me fiz de salame, até que se mudasse de assunto. Eu não preciso desses conselhos, muito menos de desconhecidos. Da minha vida, sei eu. Das minhas confusões, cuido eu. Uma hora dessas a nuvem desiste de atrapalhar minha imagem, e tudo volta a ser entendido.
Não posso desconsiderar os toques de minhas amigas, aqueles toques de pessoas que querem meu bem, esse tipo de conselho eu reconheço e posso sentir quando é verdadeiro.
O problema é que estou recebendo conselhos em demasia, e além disso (para piorar tudo) existem pessoas próximas que se meteram de uma maneira na minha vida, se intrometeram de um modo, que só ajudaram a tornar tudo uma desordem.
Sigo com minhas confusões, dia-a-dia elas vão se encaixando. Vetarei conselhos em demasia, eles só pioram as coisas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

...

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça - algo no céu te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado..
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados…
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite…
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…
Se você tiver a certeza que vai ver a outra pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela…
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra pessoa partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.


Muito lindo né?

Carlos Drummond de Andrade (Conselhos de um velho apaixonado)

sábado, 15 de setembro de 2007

Me distraio

Às vezes fico perplexa, viajo em pensamentos para tão longe. Em um instante, me transporto. Nas ruas, muitos rostos se confundem, mas logo já não me recordo deles. Prendo-me a alguns detalhes, esses sutis.
Cada pessoa tem algo que me chama a atenção. Pode ser um significado no olhar, um acessório, um sorriso, uma expressão, uma frase irrefletida, um toque ou o jeito de caminhar. Qualquer que seja o detalhe, me revela algum traço da personalidade daquela pessoa.
Quando me dou conta, distraída, esqueci de observar as coisas que estavam na minha frente. Prefiro ver as pessoas ou então, observar a natureza. Tudo isso me diz muito mais sobre a vida, do que as coisas que passam despercebidas, como aquela mesinha no canto da sala; só agora noto sua presença.


Aberta à críticas

Meu primeiro blog. Estava na hora de começar a escrever mais, de me expressar, de receber críticas, de estar exposta a tudo isso. Como futura jornalista, é bom eu ir me acostumando. Aqui é onde eu quero colocar todas as minhas idéias loucas e minhas histórias mais loucas ainda. Vou escrever pensamentos soltos, qualquer coisa que vier à mente. É bom exercitar, sempre se aprende.