segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Talvez ela tivesse esquecido

Semana passada, não recordo o dia, normal, aliás não lembro nem a roupa que vestia anteontem, eu falei com a Suélen no MSN. Isso não seria motivo de comentário, mas o fato é que não falava com ela há mais de um ano. Não nos encontrávamos mais pelas ruas, pelo shopping, pelos pagodes, não nos comunicávamos pelo msn, e-mail, via carta, nem pelo telefone.
Eu li um e-mail na tarde daquele dia, que recebi da Tia da Carona, a Evany, que é mãe de uns amigos que estudavam no mesmo colégio que eu. A tia levava eu e minha irmã até nossa casa, e ainda comprava quindins pra gente, para tornar o trajeto mais agradável. Hoje ela me manda e-mails quase que diariamente. Neste dia recebi um texto sobre amizade, de Vinícius de Moraes.
Texto lindo, que me fez lembrar a minha amiga ausente, mas jamais esquecida: “A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.”
A Suélen, vulgo Shúshú, era uma amiga do colégio, parceira para realizar aqueles chatíssimos trabalhos de física e química, para trocar colas nas provas de matemática e para paquerar no recreio do colégio. Mas nossa amizade não era restrita aos muros do Champagnat. Saíamos juntas do colégio, com nossas outras amigas, almoçávamos, passávamos a tarde juntas.
Isso durou três anos. Com direito a muitas festas, confissões, um vocabulário singular, viagens loucas para a praia, para o sítio, cartas trocadas com promessas de uma amizade para sempre, férias juntas, tardes comendo traquinas de chocolate e bebendo coca-cola.
Ela sabia meus segredos e eu os dela. Tínhamos nosso próprio alfabeto, que era pra ninguém, salvo a Isadora (grande amiga), entender nossos bilhetes.
Mas no último ano de colégio, a Shú começou a namorar, e quando o ano acabou começamos a nos distanciar. Ela trocou os programas com as amigas, para passar o tempo com o namorado. A gente entendeu, mas nunca pensou que poderíamos ficar tão afastadas.
Resolvi encaminhar o e-mail a ela, mas nem sabia se ainda seria o mesmo. Para minha surpresa, naquela mesma noite ela veio falar comigo no MSN.
Depois de tanto tempo sem trocar palavras, até que conversamos bastante. Surgiram muitas perguntas, as duas estavam curiosas para saber como tudo se passara durante a distância. Falamos sobre nossas famílias, o que estávamos fazendo e contamos as novas.
Ela revelou que chegou a se emocionar quando leu o e-mail e contou que tinha se arrependido do afastamento, disse também que lembrava sempre da gente.
Eu já sabia daquilo, mesmo sendo novidade, e tinha a certeza de que ela também tinha noção do quanto eu lamentava a situação.
A Suélen talvez tivesse esquecido o quanto eu gosto dela. Ou talvez duvidasse. Mas no fundo sei que ela tinha convicção disso. Ela é uma amiga presente, mesmo que de corpo ausente. As lembranças estão no ar, ficaram por toda a parte, mesmo com as circunstâncias da vida, o carinho que era grande, não conseguiu se esgotar.

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