segunda-feira, 28 de abril de 2008

Falando de amor

Não me esqueço de uma conversa entre amigos, numa noite gostosa de verão em que falávamos sobre amor. Enquanto voltávamos da praia, ao som de Jack Johnson, felizes pelo final de semana que tinha sido divertido.
Era estranho ouvir um cara que eu mal conhecia falar sobre coisas íntimas dele, e ao mesmo tempo era legal comparar suas idéias com as das minhas amigas que eram tão diferentes. O que ele dizia me intrigava.

Ele falava das coisas que havia escrito há um tempo atrás, em como conseguia fazer aquilo com intensidade e sentimento, como se fosse algo muito valioso, mas que agora ao reler, tudo lhe parecia absurdamente adolescente.
Talvez ele tivesse amadurecido, ou resolveu-se poupar de um possível sofrimento, mas sem se dar contar, ficou anestesiado. Não amava mais como antes, não se entregava mais, temia um desgosto, deixou de se emocionar com a vida, de ver beleza no lúdico, parou de sentir.
Justificava-se dizendo que as coisas que sentia e que escrevia não faziam mais sentido, que eram idéias ultrapassadas e tolas sobre o amor.

Eu compreendia em parte o que aquele desconhecido dizia, era complicado acreditar em algumas coisas depois de uma certa vivência. Muitos resolvem se proteger de maneira que acabam por abdicar de algo que poderia ser bom. Às vezes fica difícil acreditar no que há de belo, quando tudo parece mostrar e tentar provar do contrário. É um número reduzido, mas ainda existem as exceções e as pessoas com esperança - os que tentam nos lembrar daquele sonho infantil que tínhamos quando acreditávamos no amor e nas coisas bonitas, e querem nos mostrar que ele realmente pode existir.

Para Vinícius de Moraes amadurecer não era sinônimo de perder o encanto pelos sentimentos ardorosos. O tempo passava e ele continuava a crer na ingenuidade da paixão.

Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito lindo.