quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sabe quando você cansa?

Sabe quando você cansa
Não sabe explicar como, quando, por quê
Sabe quando tanto faz
Não liga mais para o que possa acontecer
Sabe quando você se aborrece
Das mesmas cores, cheiros, clichês
Sabe quando você sente que pode ir mais além
Do obviu, do comum, da mesmice
Sabe quando você enjoa
Da falsidade, dos que tentar aparentar o que não são
Sabe quando tudo isso te desestimula
E só fica a vontade de extrapolar
Sabe quando você esquece da verdade
Dos princípios e do que era importante
Sabe quando anseia em procurar
Algo, alguém que te faça relembrar
Sabe quando bate a indiferença
Sentimento anestesiado
Sabe quando você já aprendeu
Que isso passa, que tudo passa
Sabe quando você não se desespera mais
E espera com calma que isso se vá
Sabe quando você cansa?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez , importante escritor colombiano e responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana, escreveu uma espécie de carta aos seus amigos, em forma de despedida:



"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas. Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.

Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens. Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer."

sexta-feira, 11 de julho de 2008

...

Forte esse trecho que encontrei do Caio Fernando Abreu:

"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."

Tantas coisas para experimentar

"Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir."

Facundo Cabral

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Percebi isso

"Quem se esforça para ser/parecer não consegue
Quem naturalmente é não precisa se empenhar para mostrar"

terça-feira, 8 de julho de 2008

Escrever é se adonar do movimento

Me identifico:

Viver é rápido
Sentir é lento
Escrever é se adonar do movimento...
É por isso que comecei a escrever, para tentar controlar o movimento, para reler os sentimentos, para registrá-los, para não deixar que se perdessem em sensações, para fotografar os sentimentos e deixá-los ali, sorridentes ou chorosos, mas eternos e meus...

Nádia Lopes

Nádia escreve lindas poesias, crônicas e textos. Ela se preocupa em lembrar às pessoas o quanto a vida é bela, em como existem coisas maravilhosas - e simples, que muitas vezes passam desapercebidas pela vida.

Cursou Comunicação Social, é colunista do site queb, e abriu há 10 anos a Elite Model no RS.

http://www.eusounadialopes.blogspot.com/

...

"Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces."
William Shakespeare

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Tholl


É tão maravilhoso poder sair da realidade por alguns minutos, acreditar que a vida também é feita de sonhos, de cores vibrantes, de pequenas alegrias. Às vezes se consegue essa sensação lendo um livro, vendo um filme, ou mesmo em nossas vidas, em alguns momentos perfeitos ou de reflexão. Ontem fiquei 75 minutos imersa num mundo de encanto – eu mais parecia uma menininha de cinco anos fascinada.

Assisti Tholl, que vai estar no Teatro São Pedro até o dia 27 deste mês. É um espetáculo mágico, onde chove prata, palhaços emanam luz e sobra vontade para dançar a coreografia junto com os artistas. Fiquei impressionada com a flexibilidade dos malabaristas, surpreendida pela maquiagem multicolor, hipnotizada pelo fogo.