quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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Quem é tão forte que não pode ser seduzido?
(William Shakespeare)

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Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
(Pablo Neruda)

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Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
(Charles Chaplin)

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Criticar os outros é algo muito perigoso; nem tanto pelos erros que você pode cometer ao criticar, mas pelo fato de você poder estar revelando algumas verdades a seu respeito.
(Harold Medina)

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Aquilo a que chamamos espírito parece-me muito mais material do que aquilo a que chamamos matéria; sinto a minha alma mais manifesta e mais sensível do que o meu corpo.
(Miguel Unamuno)

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O tolo procura a felicidade ao longe, o sábio cultiva a sob seus pés.
(James Oppenheim)

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Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira — mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.
(Monteiro Lobato)

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Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se. Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo.
(Albert Einstein)

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Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis.
(Carlos Drummond de Andrade)

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As riquezas do mundo pertencem efetivamente aos que têm a audácia de se declarar seus possuidores.
(Georges Duhamel)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O tempo

Dezenas de horas sem deitar, cochilar, fechar os olhos ou dormir, a agitação era tanta, que a manhã se misturou com a tarde e a noite, como se fizessem parte do mesmo período do dia. A madrugada chegou rapidamente, e a manhã outra vez apareceu. O sol na cara indicava um novo belo dia, mas para ela aquilo não trazia novidades. Porém, no dia todo ao ar livre, foi percebendo distraidamente as mudanças lá no céu.

Ensolarado, com nuvens, azul claro, azul marinho, negro, com estrelas, lua cheia e novamente o sol. O céu a fascinava, ele estava entre suas maiores paixões. Mas o que a intrigava naquele momento não era isso, e sim o tempo.

Quando pequena fez um poema sobre o tempo, que foi escolhido para recitar ao público da escola. Teve que decorar aquelas estrofes, que passados dez anos, ainda estavam na sua memória, num local pouco visitado, onde ficavam os versos favoritos de sua infância. Era um poeminha meio obvio, contido de algumas verdades e um tanto evoluído para aquela idade. Antes era simples definir o tempo – bastava saber que ele era formado pelo passado, presente e futuro. Mas naquele momento, vendo a manhã, tarde, noite e madrugada se mesclarem, ficava difícil compreendê-lo.

Parecia-lhe que o tempo estava sempre no presente, num "lugar" de onde nunca saímos, ou se saímos não nos damos conta. Apenas sentimos sua passagem de maneira diferente, dependendo da idade ou do momento. Em ritimo desigual, variando para cada pessoa. Numa sucessão renovada de hojes.

Antes de concluir qualquer pensamento, adormeceu, ali mesmo na beira da praia, sobre a canga; quando acordou o sol já havia ido embora, tinha passado nove horas, mas teve a nítida impressão que dormira duas.