quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O tempo

Dezenas de horas sem deitar, cochilar, fechar os olhos ou dormir, a agitação era tanta, que a manhã se misturou com a tarde e a noite, como se fizessem parte do mesmo período do dia. A madrugada chegou rapidamente, e a manhã outra vez apareceu. O sol na cara indicava um novo belo dia, mas para ela aquilo não trazia novidades. Porém, no dia todo ao ar livre, foi percebendo distraidamente as mudanças lá no céu.

Ensolarado, com nuvens, azul claro, azul marinho, negro, com estrelas, lua cheia e novamente o sol. O céu a fascinava, ele estava entre suas maiores paixões. Mas o que a intrigava naquele momento não era isso, e sim o tempo.

Quando pequena fez um poema sobre o tempo, que foi escolhido para recitar ao público da escola. Teve que decorar aquelas estrofes, que passados dez anos, ainda estavam na sua memória, num local pouco visitado, onde ficavam os versos favoritos de sua infância. Era um poeminha meio obvio, contido de algumas verdades e um tanto evoluído para aquela idade. Antes era simples definir o tempo – bastava saber que ele era formado pelo passado, presente e futuro. Mas naquele momento, vendo a manhã, tarde, noite e madrugada se mesclarem, ficava difícil compreendê-lo.

Parecia-lhe que o tempo estava sempre no presente, num "lugar" de onde nunca saímos, ou se saímos não nos damos conta. Apenas sentimos sua passagem de maneira diferente, dependendo da idade ou do momento. Em ritimo desigual, variando para cada pessoa. Numa sucessão renovada de hojes.

Antes de concluir qualquer pensamento, adormeceu, ali mesmo na beira da praia, sobre a canga; quando acordou o sol já havia ido embora, tinha passado nove horas, mas teve a nítida impressão que dormira duas.

2 comentários:

Nádia Lopes e... disse...

oi, Alice
eu já aprendi de um jeito torto, des-vivendo alguns anos, que o tempo não se mede por dias, horas , meses e manhãs, a importância e o sentido do que se vive é que lhe dão a real dimensão..e é aí que está toda a graça e o rico!

Gabriela disse...

O tempo é o presente é o ontem dormido é o amanhã incerto. Acho que é por isso que é tão fascinante. Faz os pensamentos cítricos parecerem um doce quase apimentado. Uma xícara de café relaxar mais do que dez lexotan.