quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Distraída demais

"Era todos os dias a mesma coisa, atrasada, passava pelas ruas com pressa, como de costume durante dois anos. Era capaz de chegar ao local, mesmo com seus olhos vendados, tamanha a intimidade que tinha com aquelas extensas cinco quadras. Mas como não tinha tempo para observar as mudanças diárias que aconteciam naquele local agitado, tudo lhe parecia familiar.
Os 15 minutos que ficava a mais na cama, eram os responsáveis pela falha. Se não fossem eles, talvez ela teria olhado mais nos rostos das pessoas à sua volta, ajudado aquele turista que estava perdido na cidade, percebido a criança que pretendia mudar seu dia - com um sorriso; ou teria se admirado com o céu naquele dia tão lindo, céu que por natureza trazia uma mensagem de paz.
Se tivesse diminuído o passo, seria capaz de ver em algum detalhe da trajetória, um motivo para sorrir. Mas ela estava distraída demais, preocupada demais com seus compromissos e imersa naquele ritmo incessante da rotina, algo absolutamente normal entre as pessoas que passavam por ela durante o caminho - muitas vezes esqueceu de olhar para o mundo e ver a vida lá fora."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O tempo da travessia

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sobre o Amor

Eu não entendia a busca desesperada das pessoas pelo amor, nem por que esse assunto era o preferido em qualquer roda de conversa, matéria de revista, letra de música ou programa de TV.

Eu não me preocupava muito com o dia em que o meu amor ia chegar.

Mas realmente o que é nosso está guardado. E na hora certa, chega. Às vezes, no local menos esperado.

Em um belo momento, descobri por que se dá tanta atenção a este sentimento de apenas quatro letras: AMOR. Ele é digno de toda a importância - ele é parte fundamental da felicidade.

Os novos talentos literários

Para ser escritor é necessário ter a cabeça fervilhando de histórias, além disso, ser imune à desmotivação. Os novos talentos literários encontram dificuldades em fazer o manuscrito virar impresso, e as editoras arriscam pouco. Um dos fundadores da L&PM, Ivan Pinheiro Machado diz que tudo é difícil na primeira vez. "O mundo está cada vez mais competitivo e isto se traduz em um imenso funil para todos os iniciantes", confirma. Obstáculo, oportunidade, preconceito, talento, esperteza, fazem parte desta conquista.

As editoras seguem uma rotina para a apreciação de originais e obras interessantes, que exigem tempo para serem lidas e estudadas. Toda editora se programa para publicar um determinado número de livros por mês. Machado conta como funciona o projeto da editora que publicou a maioria dos autores gaúchos com algum sucesso nacional nos últimos 30 anos, entre eles, Mario Quintana, Caio Fernando Abreu, Martha Medeiros e Moacyr Scliar. Segundo ele, a L&PM recebe uma média de 100 originais por mês de todo o Brasil. Sem intimidação, ele revelou que a editora não espera um gênio pelo correio e que atualmente ler esses livros, não faz mais parte de suas normas. "A prática provou que 99% dos livros que chegavam via correspondência, não tinham nenhum interesse para a editora, pois eram de iniciantes, fraquíssimos, sem a menor condição de serem publicados", justifica.

Uma das funções de uma editora é estimular a produção intelectual. Comparável a uma biblioteca, uma sala de aula ou um laboratório, ou seja, divulgar as informações e conhecimentos que são produzidos. Em virtude do investimento que uma editora faz para lançar cada título, a escolha da obra é feita a partir de rigorosos critérios. Assim como qualquer outra empresa, ela está sempre preocupada em obter lucro para sua sobrevivência. A determinação de cada passo está diretamente ligada às expectativas de um resultado financeiro positivo.

A L&PM beneficia escritores que se destacam por prêmios ou pela mídia, seja através de jornal, internet, rádio, televisão. Machado afirma que faz parte do sistema publicar estreantes, mas admite que o melhor argumento de marketing ainda é a qualidade, a originalidade, pois é isto que chama a atenção. Ele deixa evidente sua opinião - de que uma editora não é uma fundação benemerente; e acredita que lançar novos autores é um papel do Governo, através de suas instituições culturais. "O Estado é o responsável por fazer esta triagem, promovendo concursos e bancando autores jovens e inciantes que não têm de imediato grande interesse comercial", afirma. Segundo o editor, a literatura é algo que depende, acima de tudo, do talento.

O professor e ministrante da Oficina de Criação Literária da Faculdade de Letras da PUCRS, Luiz Antonio de Assis Brasil não acredita que a literatura é algo que depende exclusivamente desta habilidade. "Como qualquer arte, o talento, se não tiver técnica, não se desenvolve e morre", define. Sobre o dom de escrever livros, ele acredita que isso é revelado durante a juventude - talvez pelo fascínio ao mundo, pelo gosto da descoberta, pela ingenuidade. Ivan Pinheiro Machado recorda que a história registrou casos em que o talento se manifestou em pouca idade, como exemplo o poeta frânces, Arthur Rimbaud, que escreveu toda a sua obra entre os 15 e 18 anos. Mas ao juízo de Machado, o talento não tem idade, e advertiu para o caso do jornalista português, José de Sousa Saramago, ganhador do prêmio Nobel e que iniciou na literatura contemporânea, após os 50 anos.

Assis Brasil supõe que as dificuldades que envolvem a conquista dos novos autores, são exclusivamente de ordem financeira. Quanto ao gênero literário, admite que a poesia, sofre com a aceitação das editoras comerciais. A respeito do interesse que às pessoas em geral têm em relação aos livros de estréias, o professor considera que apenas há simpatia quando o autor já é conhecido em outra área - seja jogador de futebol, jornalista famoso, político ou cientista.

Segundo Assis Brasil, o passo inevitável para um novato obter oportunidades frente ao mercado é o de contratar um agente literário. Profissão que não existia no Brasil há 10 anos, apesar de ser consolidado na Europa e Estados Unidos. "Nós estamos vivendo, no que tange ao mercado de livros, algo novo que são 'as' agentes literárias", acentua o escritor. Por curiosidade, as mulheres predominam neste setor nascente. Ele recomenda as agentes, especialmente para os alunos das oficinas literárias que desenvolve na PUC desde 1985.

Carlos Augusto Pessoa de Brum é seu próprio patrão

Normalmente o escritor escreve, o agente vende e o editor edita. Esta 'regra' não funciona para o escritor porto alegrense de 21 anos, Carlos Augusto Pessoa de Brum - que já desfrutou de sete lançamentos de livros. Ele conta que no início de sua carreira, aos 17 anos, recebeu atenção e suporte de algumas empresas, mas detestou o contrato: a cada livro de 20 reais vendido, receberia cerca de dez por cento. Foi então, que resolveu cortar os intermediários e criar sua própria editora, a Br1 Editores. Sendo seu próprio patrão, teve liberdade criativa que não teria em outro cenário, assim como total escolha e decisão sobre os livros. Ele prefere vender suas obras em escolas e eventos, onde pode interagir com os leitores.

Brum ratifica que não sofreu por ser novato, bem pelo contrário, o possível preconceito foi trocado pelo interesse devido à sua jovialidade. Ao participar de Feiras do Livro de diversos colégios, o fato de ser novo acabou sendo uma vantagem para ele, e um incentivo à leitura dos estudantes - que o vêem como um amigo, um ex-colega, e não exatamente como um escritor sério e intocável. Ele presume que o mercado está se abrindo, e que a qualidade da obra nada tem a ver com a data de nascimento do autor. "Algumas vezes, o escritor até perde seu fascínio com a idade, e deixa de produzir textos relevantes após realizar uma obra prima", conclui. A dificuldade do trabalho é fazer seu nome ser conhecido. No início, o estudante procurava lugares para se expor, e era difícil encontrar interessados. "Hoje em dia, felizmente, já recebo convites para participar de eventos e até mesmo sou pago para isso - algo impensável no início da carreira", declara com entusiasmo.

Com a simpatia das editoras, Brum buscou um especialista para lhe avaliar, e acabou falando com o próprio Luiz Antonio de Assis Brasil. Levou um calhamaço de folhas para o mestre ler, e algumas semanas depois, veio a resposta: "Realmente nunca vi alguém da tua idade escrever tão bem assim". Com este elogio exagerado, o aspirante notou que poderia seguir adiante. "Ter um patrono de tanto peso como o Assis Brasil na minha carreira foi ótimo, uma espécie de manobra decisiva para a publicação - senti estar no lugar certo", revela Brum. Segundo ele, o importante é sentir que o livro pode ser comprado em uma livraria, mesmo estando ao lado de outro com maior renome.

No momento da venda, dificilmente o produto de um noviço será reconhecido pela qualidade. Em geral, as pessoas desejam títulos que chamem a atenção, ou buscam algum autor distinto. Brum conseguiu destaque através das apresentações, estas foram feitas por nomes ilustres da literatura gaúcha, entre eles, Assis Brasil, Letícia Wierzchowski e Moacyr Scliar. "É aquilo de ter nome: se um escritor famoso assina seu trabalho, é porque ele acredita na qualidade de sua obra - isso serviu como um atrativo na divulgação de meus contos", confessa.

A internet e os inúmeros blogs ajudam os novos autores, e podem servir como exercícios de aquecimento. Neste quesito, Machado, Assis Brasil e Brum concordam. "A Internet auxília na medida em que o jovem autor pode jogar nos blogs toda sua produção e logo ter o retorno dos internautas. Isso não acontecia no passado", deduz Assis Brasil. Brum explica que a web serve como um instrumento valioso, onde é revelado talentos literários. "Conhecer um site e aprovar esta linguagem, substitui o método do livro grátis".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Estradas da vida

"Você já se perguntou por que a estrada tem curvas? Por que é que todas as estradas não são retas? Por que é que as ruas da cidade sobem, descem e dobram esquinas?
... As curvas da estrada nos dão a oportunidade de ir vendo um pouquinho de cada vez. À medida que vamos avançando, ganhando terreno, um pouco mais nos é revelado. É assim que a vida funciona. Ela vai lhe dando aquilo com que você consegue lidar em pequenas doses, mesmo quando você acha que aguentaria mais.
... As condições com as quais nos defrontamos não nos definem. Elas nos lembram quem somos e quem queremos ser.
... O processo da vida deve apenas nos lembrar que somos divinos, milagrosos, poderosas manifestações da vida.
É essa a verdade que precisamos aprender a cada vez que caímos e nos levantamos, perdemos e recuperamos, fazemos escolhas e mudamos de idéia.
Cada experiência nos leva um pouquinho mais longe na estrada da vida e para além das curvas."

(Iyanla Vanzant, em Um dia minha alma se abriu por inteiro.)