domingo, 22 de março de 2009

Felicidade?

"Não tenho muito interesse pela felicidade. Eu vivi os anos 60, fiz tudo o que me interessava, passei um tempo na Índia e no Nepal, e poderia ter ficado por lá, nas drogas, se a felicidade me interessasse. Moraria até hoje em Katmandu, meio pelado, com os macacos, passeando pelas lojas que vendiam tudo o que alguém poderia querer, em várias qualidades e quantidades, a preço de banana. Se quisesse a felicidade, por que teria saído de lá? Não é a felicidade que me interessa. O que me interessa é a vida, é a intensidade das experiências, boas e ruins. Se tiver que curtir uma dor porque morreu meu pai, ou meu cachorro, ou me separei de alguém que eu amava, é para chorar mesmo, e chorar é legal, faz parte de sentir a experiência."

Me chamou a atenção esse trecho de uma entrevista com Contardo Calligaris (psicanalista italiano radicado no Brasil, colunista da Folha de S. Paulo), pois enquanto a maioria das pessoas busca desesperadamente pela felicidade, ele prefere a intensidade das experiências que a vida proporciona.

Mas será que se ele tivesse "ficado por lá, nas drogas", essa tal felicidade ainda existiria?